…A NADAR COM IDEIAS

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Texto: Bruno Arrobas

Conversámos com um verdadeiro campeão, um jovem que aprendeu desde muito cedo, que difícil não é lutar, mas sim desistir; e que apesar das dificuldades, trabalha duro para vencer sempre.

Com apenas 23 anos de idade, Josemar Paulo da Costa Andrade, colecciona conquistas e enche cada vez mais sua galeria com medalhas. O também estudante de Língua Portuguesa, Comunicação e Marketing, conta-nos como tudo começou e qual foi a ideia que vendeu.

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IDEIAS QUE VENDEM (IV) –SEJA QUAL FOR A ÁREA, DIFÍCIL É COMEÇAR, QUANDO E COMO COMEÇOU A PRATICAR A CANOAGEM?

Josemar Andrade( J.A) : Bem, comecei a praticar com 14 anos de idade no Clube Náutico da Ilha de Luanda. A princípio foi difícil, mas, acabei por gostar.

IV-COMPETE HÁ 11 ANOS, O QUE MAIS O MOTIVA?

J.A- As dificuldades por que passo a cada dia motivam-me a continuar e nunca desistir. Acho que as dificuldades passaram a ser a minha maior fonte de inspiração.

IV- PELO PERCURSO VÊ-SE QUE É UM CAMPEÃO-NATO, COMO SE PREPARA ANTES DE INICIAR UMA COMPETIÇÃO?

J.A- (Risos) Eu já participei em inúmeras competições, mas cada competição me parece sempre a primeira. Dá sempre aquele frio na barriga e fico com a sensação de ser o primeiro dia. Entretanto, procuro esvaziar a mente e pensar apenas no que estou a fazer no momento, esqueço do mundo à minha volta e dou sempre o meu melhor.

IV- EM 2010, REPRESENTOU ANGOLA NO MUNDIAL DA HUNGRIA, ONDE FICOU EM 8.º LUGAR, TENDO SIDO A MELHOR CLASSIFICAÇÃO ANGOLANA NA FINAL. COMO RESUME ESTA PARTICIPAÇÃO?

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J.A- Esse campeonato foi o primeiro, e por ser o primeiro, acho que será inesquecível para mim. Fui super motivado em fazer uma boa participação, mas quando me vi rodeado dos melhores atletas de canoagem do mundo, atletas que só via em filmagens na internet, estavam aí a mesmo do meu lado a competir contra mim, foi incrível; uma sensação que não se consegue explicar em palavras. Nesta participação dei tudo e consegui uma brilhante classificação.

IV- O QUE SIGNIFICA PARA SI, SER O MELHOR ATLETA AFRICANO, UMA VEZ QUE LOGRA ESTA DISTINÇÃO DE 2013?

J.A- (Risos) Esta distinção apanhou-me de surpresa porque esperava ter ganho em 2011, entretanto, 2013 foi também um excelente ano. Um ano em que melhorei bastante, e, quando vi o anúncio dos três finalistas para o melhor atleta africano do ano, já me sentia super feliz. E quando anunciaram que o vencedor tinha sido eu, nem acreditei. Dei pulos de alegria… Até quando olho para aquele prémio, eu digo que, valeu a pena o sacrifício que fizemos naquele ano.

IV- A PAR DE ATLETA TAMBÉM É ESTUDANTE DE LÍNGUA PORTUGUESA, COMUNICAÇÃO E MARKETING E AINDA FUNCIONÁRIO DA DHL, CONTE-NOS COMO É CONCILIAR AS TRÊS ACTIVIDADES?

J.A- É difícil. O meu dia começa às 5 da manhã quando vou para os treinos, às 7 horas vou para a Universidade, depois vou para o trabalho, saio directo para o clube e só depois é que vou para casa. É muito esgotante fazer estas actividades ao mesmo tempo, mas quando temos um sonho, quando temos um objectivo, temos que correr atrás, temos de lutar pelo que acreditamos, porque se não lutarmos, ninguém lutará por nós. Portanto, todos os dias que me sinto cansado, tento lembrar que, é esse o meu sonho, eu quero lutar por tudo o que acredito e acho que, essa motivação e a vontade que tenho, faz com que não me canse.

IV- COMO SURGE A PARCERIA COM A DHL EM TERMOS DE PATROCÍNIOS?

J.A- É uma história incrível (risos). A DHL Global Forwarding, que é muito reconhecida internacionalmente por patrocinar grandes eventos desportivos e também pela actividade comercial, que é a logística e o agenciamento de cargas; na altura que comecei a trabalhar, ninguém sabia que eu era atleta e entretanto, saiu uma nota no jornal a falar sobre mim, nosso director tinha lido o jornal e reconheceu-me. Em seguida, interessou-se pela minha actividade, procurando saber tudo. Lembro-me que no ano passado, eu precisava viajar para uma competição, falando com o director, disse-me que a DHL teria muito gosto em patrocinar-me e daí começou.
Só para realçar, durante esse tempo todo que faço competição internacional, poucos acreditaram no meu potencial, muitas portas se fecharam, mas a empresa, mesmo sem saber muito de mim, acreditou no meu potencial, no que eu sou capaz de fazer e firmou esta parceria de patrocínio.

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IV- COMO ESTUDANTE DE COMUNICAÇÃO E MARKETING, ALGUMA VEZ PENSOU EM INVESTIR NESTA ÁREA?

J.A- (Risos) Claro, claro. Eu sempre me fascinei muito pelo jornalismo. Sempre gostei muito de entender como é que os jornalistas se sacrificam para ir atrás da notícia, para manter as pessoas informadas, mas as circunstâncias da vida e também a situação actual do nosso país não permite sermos de facto o que sonhamos, pois, a realidade mostra-nos que é diferente, temos de nos adaptar e adequarmos seguindo as circunstâncias e a realidade.
IV-COMO DEFINE UMA IDEIA QUE VENDE?

J.A- aquela que por mais simples que seja, resulta sempre num grande ganho. Porque não precisamos de ter uma grande ideia, basta que tenhamos uma ideia realista, ou seja, uma onde o autor corra atrás. Nós angolanos por natureza somos idealistas, mas há uma distância entre a ideia e a realização. Para mim, ideias que vendem são as realizáveis, e para isso, temos de correr atrás.

IV- PODE PARTILHAR ALGUMA HISTÓRIA CURIOSA ENQUANTO COMPETIA?

J.A- (Risos) São muitas e fica difícil seleccionar uma, mas vou escolher a mais engraçada.
Essa aconteceu na Alemanha, estava hospedado em um hotel e tinha competição no dia seguinte, entretanto, estava no refeitório, via muita comida diferente e a única que reconheço, foi o frango assado; lá tirei duas pernas enormes e sentei-me. Dei uma dentada bem grande e aí percebi que eles não temperam com sal, e sim com açúcar (Risos). O frango estava tão doce, todos olhavam para mim, eu não podia dar a entender que não sabia do tempero com açúcar.
Imagina lá, comer duas pernas de frango bem doces! No dia seguinte, acordei com uma valente dor de estômago. Foi uma situação inusitada; só para dizer que temos de ter cuidado quando vamos a países com culturas alimentares diferentes.

IV- PARA TERMINAR, PODE DEIXAR UM CONSELHO AOS JOVENS QUE SE SENTEM EXCLUÍDOS POR CONTA DE UMA DEFICIÊNCIA?

J.A- Bem, sempre digo que a deficiência não está no corpo, mas sim nos olhos de quem a vê. Nós não podemos chamar deficientes e nem acharmo-nos deficientes por não conseguir realizar uma certa actividade como os outros realizam. Por exemplo, eu sei nadar, mas há pessoas que não sabem. Não posso chamá-las de deficientes da natação, porque elas com certeza sabem fazer outras coisas que eu não sei.
O mundo é feito de diferenças, a partir do momento que nos aceitarmos com os nossos defeitos e qualidades, o mundo se torna bem melhor para nós. Aconselho as pessoas com algum tipo de deficiência, a nunca se deixarem a baixo, todo mundo vai a baixo, mas a diferença, reside em que algumas pessoas decidem levantar e outras não. Por isso, que escolham sempre levantar após uma queda e nunca desistir.

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