DA COZINHA PARA A MAQUIAGEM

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Por: Bruno Arrobas
Em mais uma sessão de (consulta em) IDEIAS QUE VENDEM, trazemos a história de uma mulher determinada que só se rende à própria beleza. Afugenta as dificuldades da mesma forma que repele os medíocres da sua vida. Luissandra Carvalho dá-nos lição, com resquícios do feminismo,  de como a crise pode ser um vector para o sucesso. Da cozinha para maquiagem, é o pequeno itinerário que define a sua paixão no que faz. Ela não sonha, revela: Idealiza e faz acontecer.

IDEIAS QUE VENDEM (I.V)-CONTA-NOS UM POUCO O SEU TRAJECTO E COMO ERA A SUA VIDA ENQUANTO SUB-CHEFE DE COZINHA, NO LUBANGO.

Luissandra Carvalho( L.C): Óptima! Como todo negócio, foi apenas uma ideia de sobrevivência. Estava desempregada há 8 anos, e como nunca fui de ter patrões, pois nunca gostei, mas, precisava de sobreviver, e, por gostar muito de cozinha, decidi começar a fazer hambúrgueres na janela de casa, pois dava directamente para a rua principal… Em três meses o ” Hambúrguer da Lu”, é assim que se chama, virou febre, e consegui com isso, uma estabilidade. Até hoje a hamburgaria continua lá no Lubango. Portanto, tinha uma vida calma com as minhas lindas meninas( sou mãe de duas meninas lindas), mas, eu precisava de mais e comecei achar o Lubango muito pequeno para mim.

I.V-VEMOS A SUA PAIXÃO PELA COZINHA. COMO FOI TROCAR AS PANELAS PELOS PINCÉIS?

L.C: (Risos)… A mudança deve-se a crise. Temos de criar, a crise tem de nos motivar e despertar em nós o espírito de criatividade e nunca lamentar. Então, o motivo certo, foi a crise.
Pus-me a pensar qual seria o negócio que me faria continuar com a mesma intensidade, e de repente surgiu a estética. Pois a maquiagem, com ou sem crise, o pessoal quer sempre estar lindo. Em suma, foi mesmo a crise que me fez escolher isso para sobreviver.

I.V-SER MAQUIADORA  FOI SEMPRE UM SONHO ANTIGO OU ALGO QUE FOI SURGINDO?

L.C: Não foi paixão, porque eu não era apaixonada pela maquiagem, nem usava, praticamente, mal sabia pegar um pincel… Agora gosto do que faço, porque sou do tipo de fazer só o que goste. O primeiro ingrediente que ponho nos afazeres, é o amor, a seguir a entrega, como digo sempre, se for para fazer, tem de ser bem feito.

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I.V- QUE FORMAÇÕES TEM DE MAQUIAGEM  E ONDE TIROU OS CURSOS?

L.C: Tudo começou numas férias em que decidi ir ao Brasil com uma amiga brasileira que é professora de maquiagem lá.  Acompanhando-a em várias aulas, apaixonei-me. E daí fiquei a conhecer-me, descobri traços meus que eu não tinha a mínima noção.
Fiz o curso de automaquiagem, faço faculdade de Estética, na qual tenho uma cadeira de maquiagem, estou actualmente no 3 ano, infelizmente, este ano não irei estudar por causa do momento actual que o país atravessa.
Como quis ser uma profissional, achando os primeiros cursos básicos demais, decidi fazer uma formação com uma jovem nigeriana que aceitou vir para cá e fiz esse curso; ainda assim, fiz outro com uma maquiadora angolana, pois, queria saber o que se usava por cá, quem tom era ideal para a pele negra.

I.V- A PAR DESTE ESTÚDIO CÁ EM LUANDA, TEM TAMBÉM A COZINHA A FUNCIONAR NO LUBANGO, COMO É CONCILIAR ESSES EMPREENDIMENTOS?

L.C: Não me classifico como uma boa patroa, mas desde que abri a minha cozinha há 8 anos, tenho os mesmos funcionários. Portanto, eles sabem exactamente como funciona, tenho um gerente e confio nele. Sempre que posso, dou um pulo ao Lubango, é aqui tão perto (risos), tenho uma equipa muito bem formada, trabalhamos juntos por muitos anos e graças a Deus, eles ainda estão lá. Formamos uma família.

I.V- OBSERVANDO O PAPEL E O TRAJECTO DE SUCESSO QUE TEM PERCORRIDO ENQUANTO MAQUILHADORA, QUAIS AS MAIORES DIFICULDADES QUE ENCONTROU, E COMO AS ULTRAPASSOU?

L.C: Olha, não sou de me fixar nas dificuldades, pois para mim, elas fazem parte do meu dia-a-dia. Preciso delas para continuar a luta, mas a minha mudança para Luanda foi uma delas, vir a um mundo totalmente desconhecido, com um ritmo que eu nunca estive acostumada, e só por isso, montei o meu estúdio num lugar que eu me sinta mais confortável, escolhi esta vila por se parecer um pouco com o Lubango.
Em relação ao público, por ter uma página bastante acessada, graças a Deus (risos), isso ajudou-me muito a propagar o meu trabalho. Então, acho que não tenho dificuldades, porque acredito que elas fogem de mim (risos). Resumindo, não sou conformada, mas, preciso delas para servirem de degraus.

I.V- ACTUALMENTE, QUAL É O SEU SONHO?

L.C: Tenho tantos, mas em relação a maquiagem não posso dizer, é segredo. Porque o meu sonho é um projecto. Eu não sonho fantasias, eu idealizo e faço.

I.V- USA MUITO AS REDES SOCIAIS PARA DIVULGAR OS SEUS SERVIÇOS, MESMO AINDA NO LUBANGO. COMO PERCEBEU A IMPORTANTE DELAS?

L.C: Estamos a viver a era da globalização. Hoje em dia todo mundo usa um smartphone, todos usam a internet de qualquer forma. Para além da televisão, as redes sociais transformaram-se numa das vias mais rápidas de atingir o público.

I.V- QUAL É A VISÃO QUE TEM SOBRE O PAPEL DA MULHER ANGOLANA NA SOCIEDADE E ESPECIALMENTE NA ÁREA EMPRESARIAL?

L.C: Sou muito feminista em tudo: para ouvir músicas, para lidar, para apoiar, seja onde for, eu sou feminista. É muito raro veres-me apoiada num homem e amo ver mulheres que defendam aquilo que querem, aquilo que acreditam e que não seguem padrões, as chamadas defensoras das causas feministas. Portanto, ver mulheres empresárias em Angola, é uma felicidade indescritível. É muito bom saber que as mulheres cá, já criam o seu mundo, independentemente dos padrões criados pelos nossos antepassados que é crescer, estudar, casar, ter filhos e acabou. Para mim, ver mulheres que se autodesafiam, é muito gratificante… Tenho muitas referências aqui, pois o nosso mercado tem muita grande mulher, mas, vou falar de jovens mulheres como eu, sito a Neusa Mateus, a dona da Suthan, uma marca de biquíni; a Movela, sou fã incondicional dela, pois aprendo muito com ela, porque defendo a tese de que, ” nem todos sabem tudo sobre tudo”.

I.V- COMO DEFINE UMA IDEIA QUE VENDE?

L.C- … É aquela que é posta em prática . É tão simples assim (risos).

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I.V- COMO COSTUMA SER A SUA  MAQUIAGEM NO DIA-A-DIA? QUE PRODUTOS USA? QUEM É O ÍCONE DE BELEZA QUE LHE INSPIRA?
L.C: É pá, não vou responder sobre o ícone de beleza (risos). Não sou muito ligada à marcas, produtos top’s, uso o que me fica bem, produtos práticos; temos um mercado muito deficiente ainda, portanto, uso o mais pratico, o mais básico, porém, primo sempre pela qualidade, porque marca não é qualidade. Também não sou de usar maquiagem no dia-a-dia, sou uma rapariga que sai pouco, não vejo necessidade de usar maquiagem em casa, uso apenas no estúdio, pois além de dar aulas presenciais de manhã, de tarde e noite, também dou aulas via online, então só uso mesmo por causa das aulas que dou.

I.V- PARA TERMINAR, O QUE ACHA INDISPENSÁVEL NA MAQUILHAGEM, SABENDO QUE UMA PESSOA ESTÁ ATRASADA E NÃO TEM MUITO TEMPO PARA SE MAQUIAR? E O QUE ACONSELHA PARA COMPRAR A QUEM QUER COMEÇAR A USAR MAQUIAGEM?

L.C: Primeiro que tudo, maquiagem é autoconfiança. Não existe maquiagem nenhuma que vá meter bonita se não tiveres autoconfiança. Mas, se estiveres atrasada e com pouco tempo,coloca um sorriso bem bonito nos lábios e saia (riso). Mas, falando de mim, eu não saio sem fazer as sobrancelhas. Acho que para mim, as sobrancelhas arranjadas são indispensáveis.

Ajuda à produção:

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