ENGENHEIRO DE SOM RECOMENDA PARA QUEM TENCIONA DAR FESTAS

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Por: Wínia Silvana
Dos trabalhos (de bastidores) de produtor musical por uma bem-sucedida carreira artística e pela primeira vez a ensinar em Angola matérias de sonoplastia, a revista Yetwene teve o prazer de conversar com um dos maiores produtores brasileiros, Octávio Moura. O especialista deu dicas e conselhos, oportunos para técnicos de som.
Octávio Moura esteve no país desde 21 de Novembro a ministrar o curso de técnico de Áudio para Eventos, numa promoção da Aliança Francesa em parceria com o Centro Cultural Brasil-Angola. O curso visou capacitar 20 profissionais angolanos para actuarem como técnicos de som em eventos como conferências, shows musicais, entre outros. O engenheiro brasileiro tem 2 prémios Açorianos de Música no Brasil.

YETWENE-Quando foi convidado pela Aliança para dar formação em áudio, o que achou desse desafio?
Octávio Moura: Achei muito legal, principalmente em trazer informação para um local que hoje vejo que está carente de informações mais técnicas. Temos bons técnicos aqui, mas percebo que os técnicos aprenderam na prática e então falta alguma coisa de fundamentos teóricos que nós estamos abordando no curso. Eles sabem ligar o equipamento, por exemplo, porque um colega, entende o caminho do áudio e porque ele deve ser ligado neste cabo, para que quando encontrar equipamentos diferentes, saiba identificar qual é a forma correcta de fazer a ligação, não apenas decorar a posição dos cabos, mas sim entender o funcionamento de todo caminho do áudio para que possa trabalhar com diversos equipamentos de diferentes marcas.

Y-Que recomendações tem para quem gosta dar festas em apartamentos, pôr música na rua com o volume muito alto…?
O.M: Certo. No Brasil existe uma legislação que define o número de decibéis que devemos colocar dentro de casa. Existe a relação pessoal entre vizinhos, dependendo do dia da festa, pode combinar com o seu vizinho e fazer uma festa. Mas o ideal é fazermos a festa em lugares apropriados para isso, como salões de festas ou condomínios ou em clubes. Ou em lugares que realmente tenham a possibilidade de um isolamento acústico. Em relação ao nível de volume, conhecendo agora os fundamentos de áudio, a partir dos níveis de sinal, vamos perceber que cada equipamento tem um desempenho, então quando usamos o máximo do desempenho extrapolamos, a qualidade do som cai. E causa distorção do sinal. Saber avaliar até que ponto eu posso chegar com o meu equipamento, colocar-se no lugar do ouvinte, é muito importante.


Y-…E para os formandos e os técnicos que trabalham com som?
O.M:Duas palavras mágicas que sempre falo são: Amor e curiosidade. Amor para conseguir suportar essa rotina diferenciada dos técnicos de som, e toda gente que trabalha com entretenimento, na noite… Por exemplo, quando saímos para trabalhar, quando os nossos amigos estão a chegar para descansar e chegarmos para descansar, quando nossos amigos estão a sair para trabalhar. (Risos). Então, para isso, é preciso bastante amor pela profissão. E segundo, a curiosidade, vejo aqui que colocam uma semente de conhecimento na mente do aluno e ela tem de florescer, ela tem de se espalhar. E por isso digo sempre para todos os alunos terem curiosidade de pesquisar. Hoje com a internet, a curiosidade e as ferramentas de pesquisa da internet encontramos todas as informações que precisamos detalhadas, com o youtube e as ferramentas de pesquisa. Então, sabendo os fundamentos do áudio, o caminho do áudio, terão os conhecimentos necessários para pesquisar novas tecnologia e cada vez mais melhorar o trabalho e o nível técnico local.

Y-E se for uma pessoa que não saiba nada sobre áudio, um curioso, como pode fazer esta distinção?
O.M: Essa questão de se colocar na posição do ouvinte já é o suficiente! Porque no momento que a música começa a atrapalhar do que a divertir, ela está com o volume muito alto. Já percebi que aqui todos gostam de ouvir música com o volume muito alto, é como se quisesse mostrar que “como o meu equipamento é bom!” Na verdade, o nosso ouvido tem uma espécie de amortecedor, ouvimos o volume muito alto, e esse é um grande problema que pode levar a surdez. O técnico como fica o dia todo testando o material e a ouvir o volume da música muito alto, vai achar que não está tão alto, já para quem vai a festa achará que sim, porque os seus ouvidos não estão amortecidos. E a visão do convidado é que conta.

Y-Que apreciação faz em relação aos formandos dessa primeira fase do curso?
O.M: Em pouco tempo de aula os alunos tiveram uma resposta positiva, as aulas foram muito bem aproveitadas pelos formandos, que conseguiram fazer uma montagem de som. Os alunos deram uma resposta muito positiva eu consegui manter o cronograma que eu tinha previsto para Angola. Estou muito satisfeito.
Quando cheguei, percebi que mesmo quem já trabalha no ramo, tem algumas dificuldades e falta um pouquinho essa informação do documento do áudio e então o curso foi dividido para trabalhar em eventos, porque o curso é de sonorização para eventos.

Y-Pretende voltar em Angola para dar a segunda fase do curso?


O.M:Sim. A minha ideia, na verdade, é um curso bem longo, para passar bastantes conteúdos.
Nesta primeira fase, mas com certeza esse curso deveria ter uma extensão, um módulo 1, módulo 2 ou 3 porque noto que muitos alunos têm bastante curiosidade na questão da gravação em home-stúdio, mixagem, masterização, são cursos que eu também dou no Brasil. Claro que isso é uma questão de logística. Mas estou em conversação com o Centro Cultural Brasil-Angola e a Aliança francesa para vermos a possibilidade da continuação desse curso, assim como abrir um novo para ”novos” iniciantes. Quem sabe eu não possa voltar a Angola mais de uma vez, no ano quê ue vem para dar sequência nesse curso de abrir novas turmas de iniciantes e também oferecer cursos mais específicos como curso de mixagem e masterização. Vejo que o mercado aqui tem bastante compositores, muitos artistas, porém poucos técnicos que trabalham com mixagem e masterização local. Conversei com alguns músicos, apercebi-me que eles fazem a produção aqui, mas enviam para outros países para fazerem a mistura e a masterização. Então, é um curso que tem uma grande demanda.

Y-O que é que vai levar de Angola?
O.M: Na parte abstrata levo um pouquinho de cada aluno. Fico até um pouco emocionado, porque todos os alunos são pessoas excelentes. Levo um pouco dessa alegria, levo um pouco dessa vontade de aprender. Porque venho de um país que, obviamente, tem muitos problemas, de estruturas, financeiros e tal. Por isso eu peço a todos os formandos que compartilhem este conhecimento “O conhecimento não é feito para guardar, é feito para te deixar um profissional melhor e te diferenciar dos outros. Acho que ele é para ser partilhado e dessa forma criar um padrão de mercado que eu sinto falta. Assim como falamos sobre mapa de palco, input, list, rider técnico, que são termos bem comuns no Brasil e que tornam o evento muito mais organizado, aqui não é tão usado. Imagina que os formandos com esse conhecimento partilhando com os seus amigos questão músicos e os que trabalham com som possam criar então esse padrão de mercado e elevar a qualidade da produção musical local e elevar a qualidade dos eventos, a qualidade do som que se faz em Angola.

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