ILHA À CHICALA

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Por: Wínia Silvana
Por vezes fico a olhar para o nada e vem-me tudo!
As pessoas estavam na estrada com um semblante igual ao nosso: felizes! Vejo uma senhora na ilha de Luanda pronta a dar um mergulho, enquanto procurávamos a barraca aonde vendiam chocos. Passámos pelo LOOKAL, a motorista disse: – Meu Deus, isso está diferente! O mar está tão distante. Mas vamos embora, nós somos fortes! As best friend for ever!
Procurámos um sítio ao pé do ponto final. Por acaso, parecia mesmo “um ponto final à nossa saída, mas não nos abatemos. Não havia caminho que dava aonde queríamos ir: ou novamente beirávamos o umbral ou atravessávamos a passarela vermelha (por acaso não havia passarela vermelha!)
Quem disse que nossas emoções e sentimentos devem ser reféns do último capítulo da novela? Quem precisa de novela se temos a vida real todos os dias? Temos a alegria no sorriso, o barulho das ondas do mar, o almoço compartilhado. “Temos ideias, virtudes e vícios. Lutamos contra os vícios, enquanto nos fortalecemos com as virtudes. As ideias são o combustível para o aprendizado.”
Quando chegámos à chicala, apareceram várias senhoras que nos queriam vender peixe. Uma delas chamou a motorista:
Temos Choco, mana!

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A motorista recuou o carro…
Perguntou: – Tem mesmo?! – Estacionou o carro.
Não, minha mana, mas temos carapau entre outros peixes.
E a motorista virou-se para nós: Besta de M… e depois com um sorriso irónico, continuou: Vamos ainda entrar, meninas. Não desdenhem o sítio. Entrámos num mercado, não gostámos das condições, além disso, havia muita confusão entre as senhoras que discutiam sobre “quem nos tinha levado ao mercado.”
Fomos embora. Mais a frente fomos abordadas por uma outra senhora, que prometeu dar-nos maquilhagem e toalha para tomarmos banho, caso entrássemos na barraca dela para comer “um bom peixe!” Com um português arranhado, com um sotaque que não identifiquei, perguntou-nos:
Manas, o que é que vão comer? Temos um lado Vip que é a parte de cima, ou se vocês preferirem, ficam mesmo aqui em baixo.
Olhamo-nos e pusemo-nos a rir…
Na parte de baixo só se ouvia músicas congolesas. Preferimos ir na parte de cima. Lá arejava e ouvia-se acantos da pérola, Bass, Yola Araújo entre outros músicos da actualidade. De repente, um garçom deslocou-se até a nossa mesa, pedimos os nossos peixes, grandes, por sinal.
Uma das minhas amigas disse-me que não iria acabar o peixe!
Sorri apenas!!!! Fizemos umas selfies, quanta ironia. Após este compartilhar de histórias, achei que o nosso passeio pelos jardins e pelas praias que rodeiam esta ilha desfrutando do convívio com as pessoas que por aqui se acolhem para esquecerem as malambas rotineiras. Mas, isto tudo somado, tem conteúdo para crónica que entusiasme o leitor que a lê. Por isso lhe conto um pequeno episódio do meu dia-a-dia.
Quando saímos, perguntamos ao garçom:
– Onde é que está a maquilhagem que nos prometeram?!

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