MULHERES DE ANGOLA. CONHEÇA DEOLINDA RODRIGUES ‘LANGIDILA’

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Deolinda Rodrigues, símbolo da revolução angolana

 

Por: Bruno Arrobas

Conhecer a história é viver no tempo o ” tempo” todo. Recorda-la é Imortalizar todos os intervenientes, desde o espaço físico, os acontecimentos e as seus personagens.

Nesta senda, e porque estamos no mês da mulher, decidimos embarcar para uma viagem lucrativa, com aquelas que pelo seu papel na história de Angola, tornaram-se em símbolos nacionais. Dar a conhecer a nova geração, as nossas heroínas e homenagea-las pelo seus percursos.

A primeira homenageada é um símbolo da nossa resistência, que com o seu espírito revolucionário, lutou e mudou o curso da nossa historia.

Deolinda Rodrigues foi uma poetisa, mártir da luta pela liberdade, dirigente do movimento revolucionário e uma incansável militantepelos direitos humanos, em Angola. No final da década de 1950, quando essa jovem estudante de sociologia vivia no Brasil, trocou correspondências com ninguém menos que o reverendo Martin Luther King Jr, líder da luta pelos direitos civis dos afro-americanos. O nome completo dessa heroína, nascida em 1939, em Catete, na província de Bengo, norte de Angola, era Deolinda Rodrigues Francisco de Almeida. Naqueles tempos de guerra, ela usava o pseudônimo de Langidila. Era a terceira dos cinco filhos de um casal de professores primários, religiosos metodistas.

 

Deolinda Rodrigues na mocidade

Ao mudar-se para Luanda, viveu na casa de seu primo, o também poeta Agostinho Neto, que se tornaria o primeiro presidente de Angola. A missão evangélica concedeu-lhe uma bolsa para estudar no Instituto Metodista de Ensino Superior, em São Bernardo do Campo, região do Grande ABC, em 1959, mas ela foi extraditada, um ano e meio depois, por conta de um acordo entre nosso país e Portugal. Foi nesse período que trocou cartas com Luther King. Seguiu para Illinois, nos Estados Unidos, onde prosseguiu os estudos. Mas, antes de completá-los, retornou à África para pegar em armas contra a opressão colonial.

Foi para Guiné e depois para o Congo Kinshasa, onde ajudou a fundar a Organização da Mulher Angolana (OMA). Líder nata, apresentava na rádio do partido o programa A voz de Angola combatente e participava dos treinamentos de guerrilha em Kabinda, onde foi selecionada para integrar o Esquadrão Kamy. Em 2 de março de 1968, ao retornar de uma missão na selva, Deolinda e quatro outras integrantes do OMA (Engrácia dos Santos, Irene Cohen, Lucrécia Paim e Teresa Afonso) foram capturadas pelo grupo guerrilheiro adversário, o UPA (posteriormente FNLA). As cinco foram torturadas e esquartejadas vivas. Sete anos antes da independência de seu país, o 2 de Março foi consagrado Dia da Mulher Angolana.

Busto de Deolinda Rodrigues

Uma carta de Martin Luther King a Deolinda, de 1959, com uma análise da situação política em Angola e conselhos daquele herói afro-americano, é um dos documentos exibidos com orgulho pelas atuais lideranças do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Num trecho da carta, King afirma: “Seria maravilhoso regressar ao seu país com esta ideia na mente: a liberdade nunca é alcançada sem sofrimento e sacrifício. Só se conquista com trabalho persistente e incansáveis esforços de pessoas dedicadas.” Talvez esse conselho tenha sido um grande estímulo para Deolinda oferecer sua vida pela liberdade de seu povo, assim como ocorreu com o próprio Luther King.

Deolinda e Martin Luther King Jr

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