O ANGOLANO QUE ESPALHA “PEGADAS” PELO CANADÁ

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Por: Bruno Arrobas/ Nilton Meirelles 

 
Francisco Pegado é um jovem que há 14 anos reside no Canadá, imigrou por conta de uma excursão da igreja católica, conta-nos como foi a sua vida até conquistar o prestígio e admiração de todos. É um dos maiores vendedores de produtos de telefonia pela multinacional “Rogers”, é radialista, líder juvenil e motivador social.

 

Numa conversa descontraída, na Mediateca de Luanda, Pegado mostrava-se emocionado quando falava do regresso à pátria, da saudade que tinha da sua gente e do corre-corre de Luanda, chegando mesmo a reprovar certos comentários na diáspora. Entende que “Angola está a crescer a um ritmo muito bom”.

 

 

E como toda ideia brilhante vende, segue mais uma ideia que vende no seu espaço sobre ideias:

 

I.V: QUE DIFERENÇAS SENTE DE ANGOLA QUE DEIXOU E DE COMO A ENCONTROU?

 

Francisco Pegado( F.P): Primeiro agradecer a vocês pelo convite. Não quero pintar nem dizer o que muitas pessoas dizem, são 14 anos, claro houve muitas mudanças e um exemplo disso é este espaço lindo em que estamos (Mediateca de Luanda). Não havia estradas asfaltadas e hoje há, e notei isso até na periferia, já tomei banho de água canalizada no bairro, o que não havia. O aeroporto internacional “4 de Fevereiro” está completamente transformado, é um cartão postal da cidade. Em suma, mudou-se quase tudo. Claro que devíamos melhorar mais e mais, mas, muito sinceramente a imagem que tinha do famoso amontoado de lixo, foi totalmente banida, pois não encontrei. Estamos todos de parabéns!

 

I.V : QUEM É FRANCISCO PEGADO PESSOAL, ACADÉMICA E PROFISSIONALMENTE?

Francisco Pegado (F. P): é um jovem angolano nascido em Luanda, que fez o ensino médio aqui perto, no IMEL, sou um dos muitos filhos dos meus pais, um rapaz humilde, filho de Angola e menino do povo, católico, gosto de futebol e amo muito as pessoas.

 

Academicamente, estou a frequentar o primeiro ano no curso de Marketing e Mídia, tenho outras valências acadêmicas, e por ser muito ambicioso, achava que podia muito mais. E por ser uma pessoa de marketing decidi tirar o curso de Marketing e Mídia, também tenho um programa radiofónico virado a comunidade angolana, numa rádio portuguesa, o espaço chama-se “mwangolé” e é difundido todos os domingos, com convidados angolanos residentes e não só, pessoas interessadas em saber mais sobre Angola; eu por exemplo antes de regressar tinha uma imagem muito ruim sobre o país, cheguei a ter muito medo de regressar, porque a imagem que se passa lá fora é de um país que parou no tempo, de doenças atrás de doenças, mortes a toda hora e eu constato que a realidade é outra.

 

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Foto: Jorge Calianta

Profissionalmente, trabalho há dez anos para uma empresa de telecomunicações e actualmente sou gerente de loja de celulares, redes de tv, internet e rede fixa, alarmes, a empresa chama-se Rogers Wireless, a maior companhia do Canadá neste sector. Sou apaixonado por esse trabalho porque lido com pessoas e é isto que me motiva, pois gosto de trocar ideias, sentir o mesmo que os outros e foi isso que me transformou no Francisco que sou hoje… Também sou repórter oficial do “Camões velho T.V” para assuntos africanos e infantis.

 

I.V- COMO FOI PARAR AO CANADÁ E A ROGERS, UMA DAS MAIORES COMPANHIAS TELEFÓNICAS DO PAÍS?

F.P: (risos) É engraçado! Fui parar ao Canadá por meio de uma actividade da igreja Católica, que era a comemoração mundial da juventude católica em 2002 e que o Canadá acolheu, foram lá jovens de quase toda parte do mundo, em Angola fui um dos selecionados, porque um dos critérios para a seleção era a diferença que o jovem fazia na igreja. Depois de cumprida a missão é de ter feito o relatório, decidi ficar, na altura gerou tanta polémica e um clima de vergonha para a minha mãe no seio da comunidade religiosa que fazíamos parte, mas sem mentira, foi assim que fui parar ao Canadá e olha que não me arrependo de nada.

 

Antes de ir para Rogers e por ser imigrante, fiz os piores trabalhos, lavei louças em restaurantes, limpei ruas, andei na construção civil, já trabalhei em feiras como o vendedor de bilhetes. Já fui, inclusive, segurança de casas nocturnas e foi por conta desses trabalhos que comecei a dar os primeiros passos na Língua Inglesa até perder o medo.

Quando senti que podia muito mais do que fazia, fiz um curriculum vitae e enviei a Rogers e fui chamado, mas com um episódio engraçado, pelo nome Francisco Ferreira dos Santos Pinto Pegado, pensavam que era uma pessoas branca de nacionalidade portuguesa ou brasileira, nunca associaram o nome com uma pessoa negra de África, porque muitos não sabiam onde ficava Angola e como lá é proibido anexar fotografia e informações como idade, religião e grau de parentesco ao curriculum, isso fez-lhes confundir. Foi basicamente assim que fui parar a Rogers, comecei de baixo e fui ganhando cada vez mais o meu espaço até chegar a um vendedor de sucesso. Passei a coordenador, gerente de várias lojas, ganhando vários prémios na empresa. Por três vezes consecutivas fui considerado o melhor vendedor do país e amo o que faço, se bem que almejo alcançar mais, pois cada dia para mim é um enorme desafio.

 

I.V- 2014 É UM ANO MARCANTE PARA SI, SUCESSO ASSOCIADO A PREMIAÇÕES E DISTINÇÕES COMO VENDEDOR DE MARKETING EM TORONTO, PODE FALAR-NOS DESTA SUA DESENVOLTURA NO CANADÁ?

F.P: Achei que podia fazer diferente. Sabemos que o Canadá fala inglês e que há lá uma comunidade muito grande de lusófonos e isso foi uma mais-valia para mim. Diferente dos meus colegas de trabalho eu dominava dois idiomas, também decidi neste ano sair da zona de conforto, assim sendo, criei uma página minha como vendedor no Facebook e é lá onde interagia com os meus clientes, expunha os produtos que vendia e cheguei a oferecer o meu contacto pessoal para eles, comecei a tratar os meus clientes pelo seus nomes próprios, primei em ser diferente que os meus colegas, pois ambicionava ganhar mais, então, decidi sair da minha zona de conforto, enviar cartões de agradecimento escrito mesmo à mão e isso me fez bater vários recordes de venda.

 

I.V- O QUE FRANCISCO PEGADO VENDE REALMENTE COMO REPRESENTANTE DE VENDAS NUMA COMPANHIA TELEFÓNICA?

F.P: Eu vendo essencialmente os produtos da empresa, como, telefones móveis, serviços de televisão a cabo, serviços de internet, serviços de telefones fixos e alarmes. Até hoje esse é o meu trabalho, mas o que mais vendo de concreto é a imagem da empresa, claro.

 

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Foto: António Bernardo

I.V-O QUE FAZ FRANCISCO PEGADO UMA REFERÊNCIA E SUCESSO NO CANADÁ E O QUE DIFERENCIA DE OUTROS VENDEDORES, VENDENDO AS SUAS IDEIAS?

F.P: Cada momento é único, e assim sendo, eu vendo de acordo ao cliente. Todo cliente é um potencial comprador, seja ele como for, se usa calções, fatos, de chinelos ou de sapatos caros, todos são compradores; eu não esforço as vendas, o cliente compra àquilo que quer na hora que quiser. Não me considero um vendedor agressivo, sou mais amigo do que um vendedor dos meus clientes e é assim que eu consigo lhes compreender, e outra, sou também cliente quando estou do lado de fora, também faço compras em outras lojas, e conforme o tratamento que recebo nas vestes de cliente eu tento igualar ou superar quando vendedor.

A simpatia e a honestidade são os meus diferenciais, é isso que me torna diferente dos outros.

 

I.V- CONHECE PESSOALMENTE SEUS CLIENTES? SEGMENTA-OS POR DETERMINADAS CATEGORIAS, OU É DO LEMA: “PARA CADA IDEIA, UM CLIENTE OU PARA CADA CLIENTE UMA IDEIA”?

F.P: Ponho todos os clientes no mesmo barco. Por eu conhecer bem os meus clientes, as ideias surgem no momento de cada compra. Sei muito bem o que o cliente pretende quando entra na minha loja, o mais pobre quer um iphone e o mais rico quer justamente a mesma coisa, um Iphone; sabendo disso, claro que transmito outras ideias, outras preferências também.

 

I.V- FORTE E FRAQUEZAS NAS VENDAS DAS IDEIAS.

F.P: Estresso-me facilmente, principalmente quando não consigo alcançar meus objectivos, esta é a minha fraqueza. O meu forte, claro, é a paciência. Sou muito paciente.

 

I.V- ROGERS CANADÁ VS COMPANHIA TELEFÓNICAS ANGOLANAS… SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS?

F.P: Não vivo em Angola e fica difícil fazer essa comparação, mas aqui está-se no bom caminho, não vou citar o nome da operadora que estou a usar cá, mas gasta-me muito dinheiro pôr saldo de dados, hoje a internet faz parte do processo de inclusão social e gastar tanto por ela não é admissível e em Angola está muito caro, e olha que só uso o meu e-mail, uso o Instagram de vez em quando, uso também o Facebook e aqui é mesmo muito caro. Mas estou muito feliz, hoje vê-se que todos os angolanos têm ou usam telemóvel, coisa que não existia há 14 anos.

 

I.V- COMO VÊ O MERCADO TELEFÓNICO EM ANGOLA? DEFENDE A ABERTURA A COMPANHIAS ESTRANGEIRAS OU PRIORIZA TAMBÉM A BIPOLARIZAÇÃO DE NOSSO MERCADO AS DUAS ACTUAIS OPERADORAS NACIONAIS?

F.P: Sou de opinião de abertura de mercado, pois isso gera a concorrência, mas deve-se dar prioridades a empresas nacionais, o que devemos também fazer é melhorar os serviços e baixar os preços com vista a termos empresas nacionais dominando o sector e, claro, podemos dar aberturas a outras, mas desde que sejam em sociedade com o angolano, melhor ainda.

 

I.V- VENDEDOR, LÍDER JUVENIL, RADIALISTA NO SEIO COMUNIDADE LUSÓFONA NO CANADÁ, COMO CONCILIAR ESSAS RESPONSABILIDADES?

F.P : Acho que sou um líder nato, assim as pessoas também me classificam, mas como digo sempre, tudo que sou deve-se ao facto de ter nascido em Angola, levei muito daqui, não quer dizer que não aprendi nada lá, mas, não aprendi a ser educado no Canadá, não aprendi a calçar os sapatos lá, não fui aprender as boas maneiras lá, tudo isso eu aprendi cá, perdi meu pais cedo e isso fez com que me tornasse homem muito cedo, a conviver e a partilhar com os outros, também fui acólito, pois sou católico, fui escuteiro, fui catequista e líder juvenil na igreja “Sagrada família”, já fui secretário dos estudante de Angola, fui delegado de turma no IMEL durante quatro anos, e isso ajudou-me naquilo que sou hoje.

 

PAÍS

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I.V- CRISE ECONÔMICA EM ANGOLA. QUE IDEIAS SOLUCIONADORAS PODE VENDER PARA AJUDAR NA SUPERAÇÃO DESTE MOMENTO MENOS BOM QUE O PAÍS ATRAVESSA, ATENDENDO A SUA EXPERIÊNCIA NO ESTRANGEIRO?

F.P: Acho que bem à moda africana temos de sentar, conversar como irmãos e encontrar soluções conjuntas, se trabalharmos todos em conjunto, com certeza que conseguiremos ultrapassar isso, nós já vivemos momentos piores e conseguimos. Todos já sabemos, a nossa economia deve ser diversificada e devemos começar agora mesmo. E olha que esta crise vai nos fazer muito bem.

 

I.V- É LÍDER JUVENIL. JOVENS E OPORTUNIDADE EM TEMPO DE CRISE, QUE IDEIAS TEM A PARTILHAR COM OS NOSSOS LEITORES?

F.P: Toda oportunidade é única, e como disse, esta crise vai nos fazer muito bem. Vão aparecer jovens com bastante criatividade. A crise não é o fim do mundo.

O jovem não pode ter medo, se tiver um projecto para a sua província, vai falar pessoalmente com o governador, se gosta de fotografia, começa a fazer fotos, só não vale ficar parado.

 

I.V- ALGUMA IDEIA EMPREENDEDORA PARA JÁ EM ANGOLA, OU PRETENDE CONTINUAR A PRIORIZAR A VIDA NAS TERRAS DO GELO?

F.P: (Risos), não sei ainda, mas é algo a pensar, principalmente no sector de apoio ao cliente, aqui os servidores gritam por tudo, esquecem-se que são pagos pelos clientes, então seria um sector a explorar.

 

IV-O QUE É UMA IDEIA QUE VENDE PARA SI?

F.P: É aquela que faz a diferença. Para vendermos uma ideia temos de fazer sempre a diferença. #

 

 

 

  Ajuda à produção:

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Totomeirelles
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