SOBEM AS PROPINAS, MAS O SALÁRIO MANTÉM-SE

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Está “na boca do povo”!
Texto: Eugénio Viagem
Encarregados de Educação em Luanda, mostram-se apreensivos em relação ao aumento de valores das propinas nas universidades e colégios, tendo em conta a situação económica e financeira que o país atravessa.
Deste modo, presencia-se a subida de forma vertiginosa de propinas nos diferentes colégios de Luanda, enquanto nas universidades, aguarda-se pela resposta vinda do ministério do ensino superior Adão do Nascimento que, provavelmente, venha ser “uniformes para todos”.
Como não há informação sem o povo e como não há povo sem informação; o “Na boca do povo”, foi atrás do povo para saber como exactamente vivem as famílias angolanas, face a este clima que não se habituavam.
Adão da Costa, serralheiro, de 30 anos de idade, reconhece que “nesta época é duro para quem tem filhos a estudarem nos colégios e nas universidades privadas”. Tem três filhos no colégio e de tanto pensar ás vezes dói-lhe a cabeça porque no colégio, os preços “subiram de forma assustadora”, “só para ter uma ideia, antes pagava por cada criança 3. 500 a 4.000 kwanzas, o que deixou de ser.  Passa assim a pagar de 4. 000kzs a 7.600kzs. O que Adão entende de “apertar os cintos de todas as maneiras”.
Por sua vez, Eunice Quaresma, comerciante de gás butano há mais de 11 anos, acha-se “aborrecida”, mas mesmo assim sustenta de que “apesar de tudo devemos ter fé perante estas situações”. Eunice, tem dois filhos a estudarem no colégio a 8ª e 9ª classes, e conta sempre com o apoio do seu marido no pagamento das propinas dos miúdos, entretanto, o que mais a preocupa é que “pouco ou nada se fala sobre o aumento de salários” e que por vezes o marido chega sempre em casa triste e aborrecido só de saber que os preços sobem cada vez mais e os salários mantêm-se.
Durante a reportagem deparamo-nos com o mais velho Elias Sebastião, funcionário numa empresa de segurança há mais de 18 anos, natural do Cunene. Vive em Luanda desde 1988. Sente-se “muito abatido” porque nunca tinha passado por esta situação “em que os preços dos produtos básicos sobem e ninguém diz nada”. E quanto às propinas, pretende aumentar mais o nível de controlo de gastos das suas economias para salvaguardar a formação dos filhos. Elias Sebastião descreve ser “muito triste não ouvir a nenhum momento pelo menos rumores de aumento de salários” nas instituições público e privadas.
A “Yetwene” ouviu também as análises psicossociológicas do Educador Social “Dinis Viagem”, que adiantou que “para analisarmos um facto social há que se ter em conta o marco contextual”, ou seja, fazer o estudo do contexto da sociedade angolana para que as estratégias ou medidas tomadas não sejam trabalhadas sobre o efeito, mas sim nas causas dos problemas.

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Do ponto de vista económico, Angola atravessa momentos difíceis. A crise tem vindo a influenciar o aumento das propinas nas escolas, mas mantendo o mesmo nível salarial dos encarregados de educação. O psicólogo entende que do ponto de vista social, “é uma estratégia mal planificada” porque as escolas privadas tomaram medidas sobre o efeito do problema “não é assim que se resolve um problema social” e quando assim acontece “um problema + problema = a problemas!” Isto só não afecta os estudantes mas também as famílias e que por sua vez pode ter consequências de ausências e abandono escolar dos alunos ou estudantes, explicou.
Para mudar realidade, Dinis Viagem apela para que se tenha em conta os elementos chaves que passa pelo Ministério da Educação e do ensino superior terem de traçar novas políticas  e aplicar técnicas de intervenção social sobre situação, “porque olhando num país como Angola a educação é bem verdade que está a crescer mas as políticas traçadas e métodos e técnicas até agora não são suficientes. Porque este problema de aumento de preços de propinas nas escolas privadas existem desde muito tempo”.
Em 2013 e 2014, estes ministérios procuravam unificar todos os preços nas escolas privadas isto significa que só haveria preços  únicos para todas as universidades. Mas infelizmente, até hoje isto não se faz sentir porque “há insuficiência de quadros que tem um olhar crítico com interesses sociais e que defendam a sociedade dentro destes ministério”. Por outro lado, o ministério da Educação e do Ensino Superior, têm de reunir e “cimentar as ideias” e lançar novas estratégias para reduzir os preços nas escolas privadas em Angola.

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