SOMA VITÓRIAS A PROCURAR “HUGO”

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Victor Hugo Mendes, o autor que quer ser o maior escritor angolano

 

Por: Bruno Arrobas
Talvez nenhum outro sítio seria, à partida, o local ideal para uma conversa confortável com um homem dedicado aos livros. Foi na Mediateca de Luanda onde tínhamos marcado encontro com o jovem de desafios e promissor que pouco e pouco vai-se revelando na cena da orientação aos outros para seguirem o sucesso. Victor Hugo Mendes, que sempre disposto e em contagiante alegria, não se intimidou em gravar duas entrevistas na manhã cinzenta de sexta-feira em Luanda, uma para a nossa Revista e outra para uma televisão.

Natural de Malanje, há 33 anos, apresenta-nos as variantes que usou para mudar de radialista de sucesso e apresentador a vendedor de livros de sucesso.

Hoje com dois livros nas bancas, V.H.M conta-nos como superou as dificuldades que encontrou em Luanda, como entrou para rádio e porque é que começou a escrever.

 

I.V- QUEM É VICTOR HUGO MENDES?

V.H.M: Victor Hugo André Mendes é um jovem de 33 anos de idade, de Malanje, nasceu a 4 de Novembro de 1982, casado e pai de três filhos: Kleine de 8 anos, Yunace de 3 anos e a Roberta de 3 meses.
I.V-COMO FOI A MUDANÇA DE MAXINDE, MALANJE, PARA LUANDA, E CONTE-NOS QUAIS FORAM AS DIFICULDADES QUE TEVE PARA TERMINAR O ENSINO MÉDIO?

V.H.M: A mudança de Malanje para Luanda foi em 2002, quando o Frei José Paulo, Director da Rádio Ecclessia, na altura, convidou-me a vir a Luanda para fazer o programa “Luanda escolar”, portanto, entre 2002 a 2004 estive a trabalhar na Ecclessia, onde fui pivô de muitos programas de informação e entretenimento, e foi um desafio enorme. Por exemplo, não namorei durante 6 meses, entrava às 6 da manhã e largava às 21h, vivi em casas de amigos, dormi no chão, andava a pé, e às vezes não tinha dinheiro para o táxi e foi mais ou menos isso que aconteceu.
Quanto ao ensino médio, digo-lhe que não tive muitas dificuldades em terminar. Terminei-o cá em Luanda no ano lectivo 2003/2004 no IMNE ‘Garcia Neto’. Houve uma altura que fiquei desempregado, tinha apenas um par de calçado furado (riso), vivia com alguns amigos que também estavam desempregados, ia todos os dias à escola a pé, mas, não deixei nunca de faltar numa aula sequer, acho que foram essas as dificuldades.

 

I.V- NUMA ENTREVISTA, DISSE QUE NASCEU PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL, COMO E QUANDO COMEÇOU A FAZER RÁDIO?

V.H.M: Comecei muito cedo, em 1994 em Malanje, num programa que se chamava “Recreio Infantil” e que existe até hoje com a realização de António Soni. Portanto, sempre fui um rapaz muito comunicativo, comecei a me descobrir para a comunicação social com seis anos no meu bairro. Em todas as escolas que passei, acabava por me destacar, as pessoas sempre me conheciam pela minha capacidade de desenvoltura, sempre estava alegre, extrovertido, nunca fui uma criança inconveniente… Com o hábito de leitura que desde muito cedo desenvolvi, tornei-me num rapaz conhecedor de cultura geral, eu vencia todos os concursos sobre cultura geral em Malanje, lembro-me que havia um programa da rádio Malanje e que era apresentado pelo actual Director do Canal A da Rádio Nacional de Angola, Torres Cândido, e quando me visse a vir de boné e bicicleta, dizia, ” -Olha, está a chegar o miúdo da Maxinde (meu bairro), o Victor Hugo, vamos lá ver se ele hoje leva daqui um prémio”; ainda há dias fui a Malanje e a minha mãe mostrou-me um prémio que ganhara há 18 anos, uma caneca e um conjunto de panelas, portanto, esta caneca é o símbolo da minha capacidade, pois é grande e leva 1 litro. Nas visitas que fazíamos com o INAC (Instituto Nacional da Criança), eu perguntava muito e muito bem, o que era raro para àquela realidade social, vivíamos em tempo de guerra, mas nós permanecemos em Malanje porque o meu pai não quis deixar a província e foi assim que comecei na rádio.

 

I.V-A PAR DE ESCRITOR É EMPRESÁRIO, COMO É CONCILIAR ESTAS DUAS ACTIVIDADES, UMA VEZ QUE ESTÁ QUASE SEMPRE EM DIGRESSÕES PARA A VENDA E APRESENTAÇÃO DOS LIVROS?

V.H.M: Bem, eu não me chamo escritor, eu digo sempre que sou um autor, escrevi dois livros apenas, portanto, prefiro que me chamem mesmo de autor. Poderei ser chamado de escritor mais daqui a alguns anos, quando tiver mais obras escritas e mais qualidades literárias.
Acho empresário algo muito pesado. Olhando para aquilo que sou e faço, considero-me um micro empreendedor, pois hoje criei um negócio que tem a ver com livros, levo livros para todo o país, vendo livros. De radialista conhecido, apresentador premiado para vendedor de livros de sucesso, eu acho que esta minha coragem, essa minha vontade de fazer diferente, inspira-me bastante. Gosto de desafios e tem sido um desafio muito bom, tenho hoje 5 pessoas a trabalharem comigo, faço os seus salários, pago as minhas contas com o dinheiro dos livros, tenho parceria com a “AMA ANGOLA” com os “11 Clássicos” e tem sido brutal.

 

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I.V-ESCREVER UM LIVRO, FOI SEMPRE UM SONHO ANTIGO OU FOI ALGO QUE FOI SURGINDO?

V.H.M- Foi surgindo sim, com o aparecimento das redes sociais. Nunca tinha sonhado em escrever um livro, por isso também é que não me sinto um escritor. Foi mesmo uma coincidência, um percurso, talvez porque tenha gostado antes de ler, mas, também acredito que não tenha sido por acaso. Porque comecei a gostar de ler, eu incentivava livros na rádio, criei uma livraria e por fim, escrevi um livro (risos).

 

I.V-OBSERVANDO O PAPEL E O TRAJECTO DE SUCESSO QUE TEM PERCORRIDO ENQUANTO ESCRITOR, QUAIS AS MAIORES DIFICULDADES QUE TEM ENCONTRADO E COMO AS ULTRAPASSA?

V.H.M: Sou um rapaz muito determinado, podem me dizer cem vezes “não”, eu sempre vou acreditar que haverá alguém que vai dizer “sim”. Tive enormes dificuldades realmente, para poder arranjar apoios para os meus livros, mas não desisti e por fim apareceram pessoas que apoiaram, desde já agradeço a Universal Seguros, particularmente, a Livingum pelo suporte que deu no primeiro livro. As dificuldades foram estas, de conseguir meios financeiros para custear os livros, mas posso dizer que custeei os meus livros em mais de 50% do valor. E o problema hoje não são só os lançamentos, mas sim a distribuição, a venda, ser publicado com mais vigor, mas isso não depende apenas de mim, são várias áreas que deviam interagir e trabalhar na mesma velocidade. Portanto, se o autor anda a 100, os outros andam a 20, isso é um problema muito grande, porque o leitor está a 50 e quer os livros lá.

 

I.V-COMO SURGEM AS IDEIAS PARA ESCREVER UM LIVRO?

V.H.M: São basicamente as quedas da vida, as experiências do dia-a-dia, o trabalho, os amores e desamores; sobretudo, a necessidade de começar a olhar cada vez mais para os jovens e sentir a falta de preparação que têm para enfrentarem os desafios na prática, os jovens são muito teóricos e há uma diferença muito grande entre a teoria é a prática. Acho que tento mostrar como é a vida na prática, é aqui onde temos de suar, é aqui onde temos de acreditar, é aqui que temos de perder o medo e praticar.

 

I.V-VIMOS QUE É UM JOVEM COM MUITAS IDEIAS, COMO DEFINE UMA IDEIA QUE VENDE?

V.H.M: Acho que as ideias fazem com que tenhamos dinheiro. Não conheço pessoas com dinheiro, sem ideias e que consigam multiplicar sem que tenham ideias. Mas, a minha definição de uma “ideia que vende”, é aquela que treinamos, porque as grandes ideias treinam-se, temos de treinar a nossa mente para termos ideias que vendam, temos de ter coragem para transformar a ideias em sucesso, pois o sucesso está na transformação, na sua aplicação prática.

 

I.V- ACTUALMENTE É CADA VEZ MAIS DIFÍCIL PUBLICAR UM LIVRO, PRINCIPALMENTE POR MOTIVOS FINANCEIROS. QUAL FOI A SUA MAIOR DIFICULDADE NA PUBLICAÇÃO DOS SEUS?

V.H.M: Acho que nós não podemos fazer difícil a toda gente, cada pessoa tem sua realidade e cada livro é um livro, então depende muito da motivação e da coragem. Há pessoas que não publicam por que têm medo, põem barreiras e pensam que tudo é feito no estrangeiro; hoje já podemos fazer tudo a partir daqui e fica muito mais barato.

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I.V-JÁ ALGUMA VEZ SE DEPAROU COM ALGUÉM A LER UM LIVRO SEU, POR EXEMPLO NUMA PRAIA, NUM AVIÃO, NA PRAÇA, ETC?

V.H.M- (risos) Bué de vezes, e sinto-me miúdo, admiro-me, às vezes me pergunto, ” eu já escrevi dois livros?”. Mas o que realmente me admira são as centenas de mensagens que recebo todos os dias de pessoas que me agradecem. Confesso que de 10 mensagens que recebo, 1 deve estar a criticar, as outras 9 estão a elogiar-me, porque as pessoas estão a olhar para o valor que determinados textos têm e não estão a olhar para os defeitos que o livro possa ter, e é preciso que nos foquemos para o lado positivo, é isso que nos faz bem. Sinto-me muito orgulhoso e ainda serei com certeza, o autor que mais livros vai vender na história de Angola, depois da Independência.

 

I.V- PARA TERMINAR, E PORQUE FALAMOS DE LIVROS, NEGÓCIOS E IDEIAS, PEÇO- LHE UMA SUGESTÃO DE LIVROS PARA QUEM QUEIRA COMEÇAR A LER?

V.H.M: É assim, cada livro é um livro, todos os livros têm alguma coisa para nos ensinar. Eventualmente o livro que eu goste de ler, o Arrobas pode não gostar, e o que eu acho é que, cada um, além de ler livros que o indentificam, leiam também outros. Por exemplo, um economista terá tendência de ler sobre economia, o que é bom, mas também é preciso ler sobre marketing, história e outros. Deixo a leitura ao critério de cada um, mas como um conselho: leiam bastante, de preferência, dois livros por mês.

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