UM PROFESSOR PRAGMÁTICO E SEM PAPAS NA LÍNGUA

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Por: Wínia Silvana

Escrever sobre a vida de alguém é uma aventura. Quando se decide percorrer a trilha da experiência de um professor no dia de hoje, conhecê-la e partilhá-la com os leitor é prazeroso.

Jornalista sénior da RNA, Benedito Soares é, além de grande contador de estórias, caçador de talentos de todos os tempos e um grande professor, e, até prova em contrário, sem medo de errar é dos melhores profissionais que temos a nível da Rádio Nacional de Angola. Não há qualquer problema em partilhar a sua experiência e conhecimentos.

Sua inteligência e autenticidade, fantásticos: sem alterar um só traço do rosto. Sério-brincalhão, procurar uma chave que explicasse toda a grandeza deste homem diante do qual, o repertório de adjetivos torna-se espantosamente ineficaz. Porém, é razoável atribuir parte do êxito do seu nome ao Projecto Hora H, àquela contaminação ”pela investigação”, pelo real do universo maravilhoso da “Magia que acontece” sala onde se passam as aulas. Onde pesou muito a experiência jornalística de Benedito Soares.

Um homem pragmático, imperativo e sem papas na língua. Em função de suas ideias inovadoras para a sociedade, começa a atrair a atenção de muitos jovens angolanos. Suas qualidades de orador e sua inteligência, também colaboraram para o aumento de sua popularidade. Acreditando na mudança da sociedade, a elite mais conservadora do mundo da comunicação social começa a encarar Benedito como sendo ”traidor” como um inimigo público e um agitador em potencial. Mas ele nunca se deteve, continuou com aquilo que sempre defendeu, a descoberta de novos valores para o mundo da comunicação social e o inventivo à leitura. A juventude e provocar mudanças significativas no seio da Juventude, o espírito analítico, avaliativo e crítico.

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Estava eu em casa, isso em 2010 sem esperanças e cansada de ficar em casa sem fazer nada, após ter reprovado nos testes de admissão para ingressar à faculdade. Sempre gostei de ouvir rádio, de repente, na rádio Luanda passou a publicidade sobre o Projecto Hora H de Benedito Soares e anunciaram igualmente os terminais telefónicos para o qual devíamos ligar.

Interessei-me logo. Liguei, do outro lado atendeu-me uma voz grave e séria, era o próprio. Fiquei a gaguejar e cheia de medo. Perguntei onde é que me podia dirigir para fazer a inscrição, disse-me para chegar até ao IMEL, num sábado.

Lá fui eu, acompanhada por um amigo, pensando que somente faria a inscrição. Quando lá cheguei, vejo um senhor de óculos, de tez séria e um tom arrogante.

Disse para mim mesma: Eu vou fugir daqui.

-Daqui a nada vamos começar a prova!

E eu: O que é eu faço?! Não vim preparada para fazê-la!

Mas fiz. Mais tarde, quando eram dezoito e trinta minutos:

Todos que vieram pela primeira vez irão simular uma reportagem.

E eu: Estou payada!

Desde aí começou a minha luz, fiquei com medo de encarar o público durante muito tempo, mas a minha veia pela escrita sempre esteve lá. Agora já ninguém me detém, é algo que gosto e que me dá gozo de fazer.

Hoje, a conjugação dos verbos me encantam muitíssimo! Graças as mãos de fada e ao excelente cérebro do mestre Bene.

“Cara de boneca” é assim que costumava me chamar no tempo em que passei pelo hora H.
Filho de pai pastor da Metodista, natural de Malanje chamavam-no de feio, mas ele sempre dizia” um dia hei-de ficar bonito” sofreu esse preconceito em toda sua vida, até que hoje, realmente está um ”gato”.

É actualmente subdirector do canal A da Rádio Nacional de Angola.
Em Malanje, isso em 1997, criou o projecto Hora H, na sequência do índice elevado de reprovação da esmagadora maioria dos candidatos que tentavam fazer o casting na rádio Malanje. Ao constituir esse projecto inteiramente vinculado com os padrões e do gosto vigente, recebeu severas críticas dos colegas do corpo jornalístico “tradicionais”.

 

Explora seus conhecimentos, doa-se, mas mesmo assim injustiças sociais e as dificuldades da primeira fase do projecto surgiram. Pela sua humanidade , segundo Benedito Soares, para não matar o sonho desses jovens, na altura, criou a chance de lhes dar orientação do ponto de vista prático, ensinando o bê-a-bá do jornalismo(a base que consiste em língua portuguesa e cultura geral).
Com uma linguagem cuidada, suas aulas têm merecido aplausos por parte dos seus alunos, não só afectos ao mundo da comunicação, como também músicos, professores de várias áreas do saber. Resumindo, para o público em geral, diferente de quando começou. São impregnadas da justa preocupação com os factos históricos e com os costumes sociais, sobretudo com a língua portuguesa e a cultura geral. Benedito Soares torna-se uma espécie de “Lenda” e um caricaturista se vingando da hostilidade dos jornalistas que se recusam a transmitir conhecimentos.
Lembro-me que uma vez fomos à Rádio Nacional de Angola para os periódiico ensaios de locução, sob o olhar criterioso de Belchior de Carvalho e Amilcar Xavier, nós dentro da cabine, o Benedito disse-nos:
-Um Palmo no microfone, vocês vão simular um programa noticioso.
Estava eu, António Camana, Ana Rosa Ernesto entre outros. De novo falou connosco o mestre:
Muita Calma, daqui a nada vamos começar.
O Pihia Rodrigues em voz baixa, eivado de algum nervosismo, pensando que o microfone não estava ligado murmurou:
Estou fudido!
Saudades destes tempos, tínhamos direito a pequeno almoço e tudo.
Ai se tu chegasses presunçoso, porque sou licenciado! Vim a mando do senhor fulano.
O quê?!
Conjugue aqui alguns verbos, agora.
Ah, não estou preparado!
Então o senhor não disse que é licenciado em comunicação social?!
Sim, sou! Mas senhor Benedito, já me licenciei há muito tempo.
Ok.
Convido-o então a assistir as minhas aulas no Projecto Hora H, é já aqui ao lado, no ICRA.
Está bem, Senhor.
Muitos já têm credibilidade neste Projecto que apareceu na hora H de muita gente, porque dele já saíram grandes profissionais, os mais recentes são: Salomão Abílio, Jacinto Malungo, Elizabeth Gomes, Phia Rodrigues, Ana Rosa Ernesto, que revelavam a vida cotidiana das classes populares com grande profissionalismo.
Benedito Soares sempre quis evoluir o Projecto Hora H numa ONG, (algo mais abrangente e de carácter filantrópico). Outro dos anseios, é montar uma livraria, tendo já começado os primeiros passos, numa das províncias.
Obrigada por insistir para que eu encaracesse os meus medos, do contrário eu ficaria para sempre fingindo que não os tenho, considerando-me muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a mais surreal e encantadora beleza da literatura que meus olhos já viram.

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