VALORES DO POVO “NHANECA-HUMBI”

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Por: Gangsta Pick


 
Por quatro séculos o povo angolano foi vitima de um esclavagismo que devastou o País a todos os níveis: cultural, social, político, econômico e antropológico. Com a abolição da escravatura, a consequente expulsão do colono e a proclamação da independência. Esquecemo-nos de fazer uma reconstituição cultural para que pudéssemos ficar completamente livres do colonialismo. Principalmente nas capitais das grandes cidades, pois é ali onde o colonialismo apresenta os seus aspectos mais brutais.

 
Mas em meio a toda essa desgraça, a toda tentativa de colonização absoluta, alguns povos conseguiram manter-se imaculados. Tal é o caso do povo Mumuila do grupo etno-lingüístico ‘Nhaneca-humbi’ espalhados um pouco por toda província da Huila. Os Vamuila (plural de Mumuila) são um povo de cultura solida e de ideologia firme. São de uma resistência cultural imensurável. A cultura é para eles como uma religião e eles mantêm uma fidelidade a ela que realmente impressiona. É-lhes reconhecido um nomadismo e apetência à criação de gados que já vem de longos anos.

 
Pés descalços, pequenos pedaços cobrindo a genitália e troncos nus são alguns traços que os destaca. Na verdade as mulheres sempre posicionaram-se com sentimento de aversão às roupas que, o modernismo industrial trouxe. Para ser mais claro, elas rejeitam as roupas que não vão de encontro aos seus padrões culturais. Contudo, para o seu aprumo usam (o que podemos chamar de saia) pedaços de panos com enfeites o qual chamam-lhe pregas, na zona frontal. E um pedaço de pele de animal completamente enfeitada para cobrir o traseiro. O principal suporte deste modelo de saia – se posso assim chamar -, é uma cinta de couro em volta da cintura. E da cintura à baixo, numa distancia de mais de meio palmo ficam expostas um conjunto de colores de conta em tons brancos.

 
Nas peças de adorno do povo Mumuila destaco os colares de conta – vulgarmente conhecidos por missangas-, que também servem para adornar a cabeça, o pescoço, o tronco, onde os colares são colocados formando o sinal matemático de vezes (X), assim como pulseiras colocadas em volta dos punhos e um adorno especifico em formato argola colocados em volta das pernas.

 
No seio do povo Mumuila, tanto homens como mulheres vivem com os respectivos peitos à mostra.  Excepto raros casos onde é possível encontrar pouquíssimas mulheres que decidem usar um pedaço de pano, como que uma capa. Cobrindo-lhe os ombros e os bustos, ou então um pedaço de pele de animal que se estende das costas até a parte frontal do tronco cobrindo meio busto. O que pressupõe dizer que, o que para uns é nudismo para outros é cultura.

 
Os homens normalmente apresentam-se de cabelo raso. As mulheres, por sua vez, deixam seus cabelos crescerem. Usando adornos compostos por produtos naturais, que deixam os cabelos completamente hirtos.
Os vários modelos de penteados definem a fase em que a mulher se encontra. Isto é, na infância a menina recebe um penteado em finíssimas tranças com encaixe de contas ao longo das tranças. Isto ajuda a identificar a sua fase .

 
No período que define a puberdade é feito um ritual que atende pelo nome de ‘ohico’. Onde são abençoadas com uma crista que se estende até a nuca. E na referida crista o adorno de peças de contas é indispensável. Um ano mais tarde a crista recebe um adorno em tons amarelos. Algum tempo depois o penteado é redireccionado para as laterais da cabeça, como sinal de seu amadurecimento.

 
PARA O MARIDO
A partir daí, a jovem está em condições de desposar quem quer que ela quiser. Atenção! Eu disse: quem quer que ela quiser e não quantos quer que ela quiser. Após a escolha feita pela jovem – dentre os vários interessados -, o escolhido paga o dote por intermédio de seu Tio ou Pai, a jovem recebe o dote pago pelo futuro marido, também por intermédio de seu Tio ou Pai. Depois disso a jovem é entregue a seu marido e estes juntos rumam para sua cubata para consagrar o seu tradicional casamento.

 
Todo este processo é despido de qualquer cerimonia festiva, porém a odisséia dos penteados continua. Já com a esposa em casa de seu marido, seu penteado ganha outra transformação, desta vez transformam-no em tranças achatadas. Tranças essas que são substituídas por outras, cuidadosamente arredondadas e em números multiplicados, contudo encaixadas nelas anilhas feitas de caniço. Mas isso acontece apenas com o nascer do primeiro descendente. E este processo continua a medida que os filhos vão nascendo. Até que não caiba mais espaços para anilhas. Este ritual chama-se ‘olunhonga’.

 
Cada sinal ou fase, cada processo ritualistico tem um valor informativo de alto coturno.  Daí que, para os filhos desta cultura é facílimo identificar quem já está comprometida e quem ainda não está. Quem tem filhos e quem ainda não tem. Importa realçar que, toda mulher que ainda não tenha dado a luz a um filho ou aquela cujo útero é incapaz de gerar uma vida, não pode colocar anilhas nas tranças. Mas no caso das mulheres que padecem de infertilidade, apenas o fazem caso sua irmã morra. Só assim a irmã em vida herda a criança, assim como a possibilidade de colocar anilhas.

 
Para finalizar permitam dizer que nem tudo é um mar de rosas na cultura Mumuila. Um aspecto digno de reprovação social é o facto de os casais menos afortunados economicamente praticarem golpes baixos contra quem efectivamente seja considerado abastado. Às vezes para adquirir algum bem, o marido ordena sua mulher a envolver-se com um senhor abastado, para que, no acto do coito sejam pegos. Daí o adúltero vai a tribunal onde é ouvido pelo chefe máximo da tribo, sentenciado e condenado a pagar uma multa – chamado ‘ucoi’-, o pagamento é feito, ou em dinheiro, ou em cabeças de gados bovinos. Após o pagamento da multa o adúltero volta a sua costumeira rotina.

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totomeirelles
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